Seca no Amazonas: Governador adverte sobre risco crescente em 2024

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Governador do Amazonas, Wilson Lima, alerta para uma possível seca mais severa em 2024, superando a crise atual, e pede ajuda humanitária ao enfrentar a escassez de água e alimentos em meio a níveis críticos dos rios.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), fez um alerta preocupante sobre a severidade da seca que o estado pode enfrentar em 2024, sugerindo que esta poderá ser ainda mais devastadora do que a atual.

Lima explicou que, devido aos níveis historicamente baixos dos rios, o próximo período de chuvas pode não ser suficiente para recuperar seus níveis normais, agravando a situação.

“O que me preocupa é que este ano, devido ao fenômeno El Niño, enfrentaremos uma seca significativa que deve persistir até abril. Ou seja, teremos um período chuvoso na Amazônia que provavelmente não será capaz de restabelecer nossos rios, e podemos nos deparar com uma situação ainda pior em 2024”, alertou o governador ao portal da CNN.

O estado do Amazonas já está enfrentando uma seca prolongada, que pode se tornar a maior estiagem já registrada na região, de acordo com estudos de analistas do setor. 

Essa crise está afetando a distribuição de água e alimentos para aproximadamente meio milhão de pessoas, com impactos previstos até o final de outubro.

Lima destacou que, como “Na maioria dos municípios do estado, os rios são as principais vias de transporte”, a entrega de alimentos e água potável se tornou um desafio significativo. 

Ele ressaltou que cerca de 350 alunos na região do Médio Solimões nem sequer conseguem chegar à escola devido à falta de transporte adequado.

Assistência humanitária

Diante dessa situação crítica, o governador planeja discutir com o governo federal a possibilidade de assistência humanitária ao Amazonas. Está prevista a distribuição de 300 mil cestas básicas, das quais 70 mil serão entregues nos próximos 15 dias. 

O governo estadual também está tomando medidas para garantir o fornecimento de água potável, porém, a maior dificuldade enfrentada é a logística para fazer esses suprimentos chegarem aos municípios afetados.

“Vamos depender muito do apoio da Força Aérea Brasileira e, naturalmente, precisaremos dos recursos do governo federal, dentro de suas possibilidades, para adquirir alimentos para essas pessoas”, explicou Lima ao portal da CNN.

Para o governador, o rio Madeira, uma via fundamental de transporte que conecta o Amazonas a Rondônia e Mato Grosso, está com níveis de água alarmantemente baixos, atualmente com apenas cerca de 6 metros de profundidade, em comparação aos 25 metros normais em trechos específicos. 

Esse cenário forçou o 9º Distrito Naval a proibir a navegação noturna no rio devido à formação de bancos de areia, o que encarecerá ainda mais o transporte de alimentos no estado. Vale ressaltar que o rio Madeira desempenha um papel vital no transporte de produtos como a soja.

Lima enfatizou a importância de realizar trabalhos de drenagem em trechos críticos do rio para mitigar esses desafios logísticos. 

O aumento dos custos de transporte, alimentos e combustíveis torna-se uma carga adicional para o Amazonas, impactando sua economia e o bem-estar de seus habitantes.

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